domingo, 9 de outubro de 2016

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Sou professora há 34 anos e há dois estou na direção e coordenação de uma escola. É claro que são situações distintas, mas que se mesclam o tempo todo, pois o professor nunca deixa de sê-lo só porque está exercendo outra função. Há dias vivenciei uma situação na escola cuja praticidade  só ouvi falar nos noticiários policiais. Duas alunas estavam  tramando tirar uma outra do rol de amizade de ambas por causa de um menino, o qual era o alvo de afeto das mesmas.  Isso através de maldade, com empurrões e agressões para que a "colega" se sentisse desmotivada a continuar tal amizade ao colega. Só que, detalhe, as duas têm apenas DEZ ANOS DE IDADE! Aí me pergunto: Meu Deus, onde vai parar a educação, o convívio social, o respeito pelo ser humano? Todos os profissionais que souberam do fato na escola ficaram chocados, inclusive eu, que tremia e não queria acreditar naquilo que estava diante de nós todas. O que está faltando em casa e que a escola não está conseguindo suprir? E nunca irá, pois o respeito pelo ser humano, o amor ao próximo, a valorização da vida não depende que somente a escola partilhe aos alunos, mas a família é parte principal e mais importante dessa caminhada que a criança e deve trilhar com segurança. Vivenciar este e outros tipos de problemas atuais e que estão a cada dia mais frequentes nas salas de aula têm nos deixado muito chocados e apreensivos quanto ao futuro, pois é certo que estaremos frente a frente com o "inimigo" todos os dias nas escolas. O que antes nos preocupava fora da escola, agora nos preocupa dentro dela também. ALUNA: ANITA M. C. VIEIRA MATR. 14112080230


A entrevista com Joe Garcia nos auxilia na compreensão e reflexão acerca das temáticas que permeiam o ambiente escolar como a "violêcia" e a "indisciplina".

Entrevista com Joe Garcia - Indisciplina Escolar

Entrevista: JOE GARCIA
Por Luiza Oliva 

Joe Garcia mora em Curitiba, mas passa boa parte do ano viajando pelo Brasil, em consultorias, cursos e palestras a pais e professores. Os trabalhos giram invariavelmente em torno de um grande tema: a questão da disciplina, dos limites, do afeto nas relações entre pais, filhos e escola. Joe, que é Doutor em Educação pela PUC/SP, também tem percebido que é comum a confusão entre violência e indisciplina. 

Joe aponta que a indisciplina causa um desgaste cotidiano dos professores, particularmente com uma parcela de 5 a 15% dos alunos. “É uma parte pequena da sala de aula que dá trabalho aos professores. Chamamos de uma faixa de alunos instáveis, imprevisíveis.” A violência escolar costuma ter mais visibilidade na mídia, explica o educador, do que a indisciplina e até mesmo do que a violência doméstica. “A escola ainda é um dos lugares mais seguros da sociedade, mais do que o próprio ambiente familiar, se analisarmos proporcionalmente a intensidade das agressões contra as crianças. Entretanto, os casos de violência escolar são mais destacados. A escola é um espaço muito observado na sociedade. Mas as relações na família deveriam ser melhor observadas, até porque elas se refletem nos processos de socialização da criança dentro da escola. Faz sentido, portanto, quando os professores sugerem que há um nível de relação entre a indisciplina na escola e o ambiente familiar”, conclui.
A construção coletiva de limites, a capacitação dos professores focada na questão da indisciplina e a criação de vínculos que promovam um ambiente de acolhimento em sala de aula estão entre as ações benéficas em prol de um ambiente positivo nas escolas. “Em termos de disciplina, seria indicado trabalhar de forma a estimular o melhor nos alunos, que dedicar-se a inibir aqueles que consideramos indisciplinados. A Educação, afinal, precisa estar relacionada a uma forma de percepção qualitativa sobre o outro.”

 Há confusão hoje na escola entre os termos indisciplina e violência? A indisciplina leva à violência? Como delimitar as duas situações?

JOE GARCIA - Indisciplina e violência representam diferentes formas de desordem nas relações de convivência e aprendizagem na escola. A confusão entre esses dois fenômenos me parece resultar da fronteira nem sempre clara entre algumas formas de indisciplina e violência, especialmente em relação às chamadas incivilidades.
No caso da violência, essa desorganização nas relações envolveria o uso de agressividade com alguma intenção destrutiva. A violência, portanto, representa uma ruptura mais radical na convivência escolar. A expressão mais usual de violência na escola hoje é conhecida como bullying, termo que descreve formas de intimidação praticadas, dentro da escola, de uma forma recorrente, entre pares e em condições desiguais de poder.
A indisciplina, por seu turno, está relacionada mais à esfera das relações pedagógicas. Ela se refere a desordem produzida através da transgressão das regras que organizam as relações pedagógicas que sustentam o desenvolvimento da aprendizagem. A indisciplina, portanto, afeta a estabilidade do tecido de relações pedagógicas e pode gerar implicações sobre a qualidade dos processos de ensino-aprendizagem.
Na escola, é possível observar algumas relações entre violência e indisciplina. O cenário mais usual é encontrarmos a violência como uma causa direta ou indireta de problemas de indisciplina. Isso ocorre porque a violência fragiliza as relações de convivência, sob diversos aspectos, bem como a própria predisposição para a cooperação em sala de aula, que é um elemento fundamental para o processo de ensino-aprendizagem.

Há uma variedade de causas possíveis para a indisciplina escolar, que podemos reunir em dois grupos. Um desses grupos engloba as causas consideradas externas à escola. Tais causas incluem, por exemplo, a violência social, a influência da mídia e o ambiente familiar. Sob a perspectiva dessas causas, a indisciplina na escola seria reflexo de questões e conjunturas mais amplas que atravessam a sociedade.

Acredita que os professores deveriam receber em sua formação conteúdos sobre como lidar com a indisciplina?  

Joe Gracia: Sim. A formação é sem dúvida um aspecto essencial para a atuação dos professores em sala de aula, inclusive em relação à indisciplina. Em nosso País, entretanto, os cursos de Licenciatura ainda não destacam em seus currículos o estudo da indisciplina e cria-se uma lacuna importante na formação dos futuros professores. Ao longo da formação universitária os acadêmicos vão descobrir que há indisciplina nas escolas ao longo dos estágios curriculares, particularmente quando experimentam a docência na prática. Mas usualmente não recebem formação específica para lidar com essa realidade. Assim, os futuros professores saem das universidades sem o preparo devido.
É após a formação universitária, e já atuando nas escolas, que os professores têm maiores oportunidades de acesso a programas de capacitação que oferecem algum nível de conhecimento necessário para lidar com a indisciplina.

Como e quando o professor deve intervir em situações de indisciplina na sala de aula?
Joe Gracia:Penso que os professores seriam mais efetivos através de ações pró-ativas que auxiliem os alunos a desenvolver competência para a convivência e aprendizagem em contextos coletivos. Entre os aspectos fundamentais relacionados aos baixos índices de indisciplina estão atitudes e princípios que os professores poderiam exercer de forma pró-ativa em suas práticas de ensino em sala de aula. É importante, por exemplo, a construção de vínculos que promovam um ambiente de acolhimento em sala de aula. Também é essencial desenhar um currículo de qualidade, mas não somente entendido como aulas bem articuladas. E faz muita diferença quando os alunos, incluindo os considerados indisciplinados, experimentam sucesso na aprendizagem em sala de aula, inclusive na esfera social dessa aprendizagem. 
A intervenção precisa estar colada aos eventos de indisciplina, mas atenta à necessidade de se respeitar a integridade dos alunos enquanto estabelece limites a determinados comportamentos.

Contatos com Joe Garcia:  joe@sul.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
 Bibliografia:
http://www.janehaddad.com.br/new/indisciplina-escolar/293-entrevista-com-joe-garcia-indisciplina-escolar
Por: Joana da Silva (14212080343) / Juliana da Silva Andrade ( 14212080072)







Agressões nas escolas: a responsabilidade é de todos

     
  •  







É comum ouvirmos, enxergarmos, lermos e até visualizarmos bem de pertinho situações de agressões em qualquer lugar. Quando se fala em escola, tem-se um sentimento diferente. Esse repúdio social à violência dentro da escola deveria, sim, vir junto com um enorme questionário para avaliarmos o porquê da briga em ambiente escolar entre crianças e adolescentes.
Em primeiro lugar, observar o todo é extremamente necessário, pois a escola tem se tornado o primeiro ambiente social que a criança vive e nele iniciam os primeiros “nãos” que recebe. Temos nas mãos uma geração educada pelas famílias, ganhando e tendo tudo, não conhecendo a palavra não, não vivendo o dividir, o não ter e o esperar. Quando chegam às escolas, essa geração de crianças e adolescentes começa a viver com os nãos, com as negações às suas vontades, pois estão convivendo com o social, comportamentos coletivos que são obrigados a trilhar, mas para o qual não foram preparados.
Pensemos em um pequenino, rei da sua casa, da sua família, filho único, neto único, tudo único. Ele não será todos os dias o primeiro da fila, ele não será atendido em todos os momentos pela professora e terá de perceber que os outros também têm vez e voz. Fazer parte da coletividade é um dos pontos mais conflitantes para o ser humano.
Em segundo lugar, ouvir o outro, se colocar no lugar do outro, não é disciplina ou conduta ensinada às crianças de hoje. Impera o que eu quero, quando quero. Como na escola são muitos que querem tudo ao mesmo tempo, os conflitos começam a dar sinais, pois assim o poder aparece e continuam em um ganha ganha infinito, muitas vezes pela violência.
Publicidade
A escola é sim um espaço civilizador. É nela que o ser humano inicia seu estágio para conviver verdadeiramente com a civilização. Nesse espaço, a violência começa com pequenos conflitos e indisciplinas. Se eles não forem trabalhados com qualidade pelos adultos que nela estão inseridos, invariavelmente crescerão e se tornarão um problema muito maior.
A escola, com seu papel de formadora, não pode terceirizar para porteiros ou monitores os problemas e conflitos entre os alunos. Ela precisa trazer para si, junto com as famílias, os relacionamentos mal resolvidos e conversas mal acabadas, pois a violência entre os educandos é sempre coisa pequena que, quando mal resolvida, ganha dimensões muito maiores. E esse problema é sentido no ambiente escolar, pois sempre um aluno abre a guarda, contando para algum adulto a situação. A escola se preocupa com os conteúdos, mas conteúdo não se aprende em situação de sofrimento.
Não existe um professor que não consiga resolver conflitos. Existe aquele que não quer resolver, que não tira tempo para isso. A resolução de conflitos não precisa de curso ou aperfeiçoamento, basta o professor querer abrir mão do conteúdo para auxiliar os seus educandos no processo de viver em sociedade.
Acreditar na escola com autonomia e diálogo se faz necessário, pois ela existe. Uma instituição que ouça o aluno, em toda a sua dimensão, que debata os problemas, os conflitos sociais e familiares, que gere nos educandos uma sinergia de autocomprometimento e ajuda mútua. Desta escola é o que precisamos hoje.
Esther Cristina Pereira, diretora da Escola Atuação, de Curitiba (PR).



































































Nenhum comentário:

Postar um comentário